16/07/2026
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária, por um lado, permite agrotóxicos venenosos que adoecem e matam nossas crianças e, por outro lado, proíbe a Maconha medicinal, que traz cura e fortalece o organismo dos seres humanos.
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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária, por um lado, permite agrotóxicos venenosos que adoecem e matam nossas crianças e, por outro lado, proíbe a Maconha medicinal, que traz cura e fortalece o organismo dos seres humanos.
A Anvisa é uma agência reguladora nacional que exerce o papel de garantir o interesse público do cidadão, fiscalizando a qualidade e a sanidade dos produtos disponíveis no Brasil. Sua missão é proteger a saúde pública por meio do controle sanitário de produtos e serviços.
Afim de melhor compreender a atuação da agência e colaborar com a superação de seus limites, nos perguntamos: O trabalho da Anvisa está sendo bem executado no Brasil?
Para nós essa é uma questão simples de ser respondida. A atuação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária é sabidamente contraditória, pois favorece o desenvolvimento de modos de produção artificiais que vêm destruindo rapidamente a cultura e os ecossistemas brasileiros, ao mesmo tempo que proíbe modos de produção artesanais, manuais e orgânicos.
Podemos constatar tal afirmação considerando que, há 27 anos, a Anvisa permite, autoriza e reforça o uso de agrotóxicos, nocivos à saúde humana. Graças à falta de cuidado e de zelo dos responsáveis pela avaliação sanitária dos produtos químicos utilizados no cultivo de alimentos, nosso país vem se especializando numa agricultura que devasta e adoece nosso ecossistema e nossa população.
Vivemos no Brasil, nos últimos anos, um crescente adoecimento das nossas crianças, com aumento vertiginoso de transtornos psiquiátricos e psicológicos.
Chuva de agrotóxicos causa intoxicação em Lucas do Rio Verde (GO), em 2013.
Nuvem tóxica oriunda de pulverização aérea provoca intoxicação em Lucas do Rio Verde (MT), em 2006, e em Rio Verde (GO), em 2013.
Desastre de Bhopal, ocorrido da Índia, em 1984.
Contaminação de lençóis freáticos e solo em Paulínia, pela Shell-Basf , em 1994.
Amplamente classificados como venenos, e proibidos em países como Reino Unido, Alemanha, Portugal, Suíça, França, Austrália, Canadá, México e Vietnã, agrotóxicos à base de glifosato, atrazina, alaclor, mancozebe, acefato, entre outros, são autorizados no Brasil e têm sua comercialização permitida e regulamentada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Essa permissão para utilização de venenos pesados no Brasil merece atenção de nossa população.
O relaxamento da Anvisa com a fiscalização e com os testes desses agrotóxicos trouxe consequências sérias para nosso país, que impactam diretamente na qualidade de vida do brasileiro. Nas últimas décadas o Brasil tornou-se o país que mais consome venenos em sua agricultura. Superamos, em quantidade de agrotóxicos venenosos utilizados, todos os outros países do mundo.
Tendo em vista que o papel da Anvisa é garantir a qualidade dos produtos disponíveis aos brasileiros, verificando a segurança no uso desses produtos, como a agência pode se defender das críticas mencionadas?
Para autorizar o uso desses venenos em solo nacional, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária baseia-se em estudos pseudo-científicos que foram financiados por indústrias dos ramos farmacêutico e do agronegócio. Para se ter uma idéia, a venda de venenos agrícolas no Brasil movimentou mais de 110 bilhões de reais em 2025, com destaque para o glifosato como principal veneno comercializado.
O cenário é ainda mais crítico quando consideramos que a maior parte desse custo é financiado pelos investimentos públicos do governo nos setores do agronegócio.
O lucro proveniente da devastação de nossas riquezas naturais é escoado para as empresas de fertilizantes e de agrotóxicos que operam no Brasil, com a parceria da Anvisa.
Nos aprofundando no caso do glifosato, esse veneno foi criado pela Monsanto. Essa empresa de produção de agrotóxicos, com histórico de envenenamento e assassinato de milhares de pessoas ao redor do mundo, fundiu-se com a empresa farmacêutica Bayer. Assim, tornou-se duas faces da mesma moeda, recebendo os lucros da venda do veneno que produz a doença e da venda do remédio.
A utilização e a regulamentação do glifosato no Brasil, e no mundo, foi baseada em artigos publicados há mais de duas décadas. Recentemente foi revelado que os estudos sobre o glifosato tiveram a participação oculta dos desenvolvedores da Monsanto. Esses estudos perderam sua legitimidade, e são considerados inválidos, devido ao comprometimento da imparcialidade do método científico aplicado.
É nesse contexto que chega ao Brasil a Maconha medicinal, substância natural com histórico de uso seguro, registrado há cinco mil anos na cultura escrita dos seres humanos, e de utilização estimada há mais de cem mil anos. A Maconha acompanha os seres humanos desde os primórdios de sua existência como uma aliada no tratamento de doenças, na alimentação e na construção de casas e de ferramentas.
A erva da Maconha foi vítima de uma das maiores contradições da história humana, pois foi proibida e banida de nossa sociedade durante séculos. O mesmo governo, a mesma metrópole, o sistema colonial permitiu, operou e desenvolveu a escravidão forçada e a tortura continuada dos povos pretos afrikanos.
A Maconha é sabidamente uma planta amplamente reconhecida e utilizada em Afrika, com raízes orientais vinculadas aos povos beduínos e a outros povos do deserto como os Tuareg.
Da mesma forma que o governo colonial temia a revolta dos pretos escravizados, com receio de que pudessem alcançar a liberdade com as próprias mãos, os governantes também temiam toda prática cultural ancestral que trazia força aos escravizados. A Maconha é uma erva sagrada que faz parte de ritos espirituais dos povos de Afrika.
Aqui no Brasil, a Maconha integrou os ritos espirituais afro-indígenas em religiões como a Jurema Preta, o Candomblé e o Santo Daime. O conhecimento original, afro-indígena, nutriu o povo brasileiro desde seus primórdios. A influência da Erva é revelada em manifestações como a capoeira, o carnaval, o samba e muitas outras raízes culturais do Brasil.
Foi nesse contexto que a Maconha foi perseguida e proibida, assim como a capoeira, o candomblé, o vodoo e dezenas de outras práticas da cultura Afrikana. Foi a ação das elites governantes que, ao perseguir e proibir a Erva medicinal, gerou um espaço de não regulamentação que veio dar origem aos problemas de segurança pública e de criminalidade que sofremos hoje no Brasil.
As políticas coloniais vigoram no nosso país dentro das decisões dos tribunais e de seus julgadores, que perpetuam as regras de opressão da população preta brasileira.
A Maconha medicinal representa um paradigma social para o Brasil.
Com amor,
Flor do Amor! 🌿💚🌞
Texto: João Pimenta
Arte: Pedro Badu
Revisão: Alexandra Joffily